Eu deveria estar fazendo outra coisa.
Por medo de que minha carreira
não dê certo, por medo de fazer papel de besta (aliás, sou fera nesse tipo de origami), por medo de repreensão, por
medos que nem eu sei listar. Engraçado, às vezes tenho a sensação de que quem
cresce em nossos aniversários são nossos medos, não nossa idade (mental, principalmente). Sei que o medo
nos trouxe até aqui com o instinto de autopreservação e sobrevivência, mas não
é um skill que colocaria no linkedin.
Pessoas têm medo de falar que têm
medo. Não me refiro às patologias (fobias) de medo de altura, falar em público
ou lugares fechados. Todos temos, em diferentes níveis, de diferentes coisas.
Recentemente assumi meu
desconforto, criei vergonha e resolvi aprender espanhol, cuja língua
nunca tive contato (tirando uma ex, filha de argentinos, mas é outra história. –
notem a vírgula, não existe ex filho de alguma nacionalidade). Engraçado que
todo brasileiro nasce com o software do portunhol, logo, todo brasileiro já é bilíngue
por natureza, afinal, mesmo que não funcione, o Imagem e Ação® é mundialmente conhecido
e a linguagem do amor é universal.
Depois de uma certa idade é
desconfortável começar a aprender uma nova língua; falar, ler e escrever
em um nível inferior ao de uma criança alfabetizada de 6 anos (uma idade que você desejaria
que seu fígado estivesse). Como diria Seinfeld, é como entrar em uma livraria
(uma loja mais esperta que você), afinal, para entrar numa livraria, você
precisa admitir que há algo que você não sabe.

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