Quem inicia um texto com “eu sou
da época...” ou usa a denominação “jovem” já não se considera mais tão jovem
assim, mesmo assim, por falta de algo melhor...
Eu sou da época que o treinamento
para o mundo empresarial se realizava nas coisas do dia-a-dia. Era necessário
um script antes que realizar uma ligação
para uma prospect, talvez, os mais artísticos
tendessem ao storyboard. A principal preocupação
não era, de fato, o que falar para ela, mais sim, o que falar para a mãe dela,
caso esta atendesse. (Naquela idade o pronome de tratamento “tia” era aceitável).
COMUNICAÇÃO: públicos diferentes
requerem comunicações distintas.
Antes mesmo de realizar a ligação
era necessário um planejamento do conteúdo e da duração da conversa para o cálculo
da quantidade de fichas necessárias. Cada ficha durava 3 minutos e os segundos
de silêncio constrangedores poderiam ser denominados luxo. PLANEJAMENTO FINANCEIRO: em pensar que não tínhamos ideia do que
era ROI (return on investment). CONCISÃO: Se você estava na terceira
ficha e não atingiu o objetivo provavelmente já perdeu o timing. O custo de aquisição já tinha estourado o orçamento.
E para saber onde mora, qual a
linha de ônibus que passava perto, qual o Mc Donald’s mais próximo pra ir a pé...
GEOLOCALIZAÇÃO: a teoria do raio do
amor nunca foi tão presente como nesta época. Qual o perfil, do que gosta,
amiga de quem... NETWORKING: diga-me
com quem andas e te darei umas dicas.
Ao longo dos anos as motivações das
pessoas não mudaram, ainda questiono a denominação sapiens sapiens em nossa espécie. Acho que deveríamos ter parado no
homo erectus... pelo menos não soaria
contraditório.
As pessoas fazem as mesmas coisas
que faziam na época do telefone de ficha, mas com mais tempo, recursos e sem
tantos perdigotos desconhecidos. Hoje me sinto um pouco estranho ao falar ao
telefone, sei lá, as vezes falta um emoticom
no formato de cocô ou um “kkkkk” pra preencher uma réplica marota. (ok, idade não
tem a ver com maturidade). O ruim de uma conversa, xaveco ou argumentação ao
vivo é que só depois de horas você acha a frase inteligentemente brilhante que
deveria ter falado no momento, enquanto se lembra da frase digna de alguém do primário
que veio na cabeça na hora.
Aplicativos de chat online são excelentes,
eles dão a oportunidade multitarefa de conversar com amigos enquanto se corta a
unha do pé. O interessante destes aplicativos é que você sabe que o outro está
digitando algo, é como se a ampulheta do Imagem & Ação® parasse até você decidir
a mimica ou mesmo jogar jokempô com
um delay de vantagem. Ele cria um
filtro que no dia-a-dia o maxilar pode deixar a desejar. Afinal, reticencias são
três pontos finais... ...com
continuidade.
Um velho ditado diz que temos
dois ouvidos e uma boca para utilizarmos nesta proporção. Com o advento dos
aplicativos de chat qual o sentido de dizer que temos dois olhos e dez dedos?
Bom, no fim das contas, malandro é o Lula que tem nove... caiu a ficha?

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