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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Problemas de “Assentuação”

Disclaimer: Pode conter palavreado chulo de baixo calão de origem duvidosa.

To lift or not to lift, that’s the question”.  William Shakespeare quis colocar em voga a questão do assento sanitário e não da existência humana, mas decidiu não ser tão polêmico assim, mantendo-se apenas na filosofia mais rasa para não semear a discórdia entre os críticos da época.

Toalha molhada na cama? Roupa jogada no sofá? Cabelo no box? Exagero na bebida? Esqueça, isso é muito anos 2000. A grande discussão de casais sempre foi se deveria estar para cima ou para baixo e depois da invenção do Viagra (1998) essa pergunta parou de ter duplo sentido.

No livro As 100 maiores invenções da história, o escritor americano Tom Philbin classificou a invenção do vaso sanitário na 16ª colocação. Esperava que estivesse entre o número 1 ou 2...

Abaixar o assento da privada é como abrir a porta do carro, isso acontece só se a mulher for nova (ou o carro, se for o caso). Não há coisa mais irritante que “assento de castração”, ou seja, aquela tampa que tem que ser segurada com a lateral da coxa enquanto Foz do Iguaçu segue seu curso. Algumas mulheres acham prático, pois mantém sempre a tampa abaixada, entretanto mal sabem que o susto causado pela queda automática resulta em urina no chão. Nesse caso, troque o bidê por um mictório, até porque, hoje em dia usar água para se limpar pode ser considerado desperdício.

Segundo a lógica matemática de uma amiga, as mulheres usam a tampa abaixada 100% das vezes (exceto Thammy Gretchen, Roberta Close...) e os homens cerca de 40% (no meu caso esse percentual pode chegar a 90% fora da CNTP – condições normais de temperatura e pressão), logo, a maior parte do tempo a tampa é necessária abaixada, entretanto, quando adicionamos a física e sua implacável lei da gravidade, concluímos que é mais fácil deixá-la levantada para evitar esforços futuros.

A nova convenção ortográfica alterou as regras de acentuação. Assim como os acentos, os assentos também deveriam ter regras de utilização. Seguem algumas para a boa convivência:

  • Homens enquanto no exercício livre do nº 1, NUNCA trema em cima da louça;
  • Assento sempre abaixado em caso de diarreia aguda;
  • Churrascos e cervejadas assento levantado SEMPRE! Ninguém levantará nada que estiver levemente úmido. (lembrando da teoria de que nota de R$100, hímen e primeiro "mijo" segura-se o quanto puder...)
  • Tampa abaixada sempre em frases cujo homem é o sujeito simples e subordinado da oração, por vezes oculto, nas sentenças imperativas terminadas em: já, agora, experimenta..., porra, de novo!

Dizem que toda panela tem sua tampa, mas se a tampa for tão complicada assim: prazer, frigideira!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Sou teiro.

Taí, dizem que a vida começa aos 40, significa que ainda tenho mais 9 anos de gestação... engraçado, porque todos de minhas rodas sociais estão ou: divorciados, separados, no segundo filho, no primeiro filho, prestes a ter o primeiro filho, casados, prestas a casar, em um relacionamento sério ou em um relacionamento bem enrolado cujo casamento é iminente. Como diria na aula de educação física: “eu contra a rapa...”

Ok, não é crise feminina, cujo relógio biológico (bomba relógio) está prestes a explodir próximo aos 35 anos. Cheguei na fase que todos os amigos tentam apresentar alguém para você, geralmente alguém cuja única afinidade é... ser solteira!!!

Não sei se é por camaradagem, dó (quem tem dó é violão), por ter alguém para acompanhar no “double date” ou simplesmente ter assuntos sobre fraldas, Disney Channel ou trocas de receitas. Sei lá, alguns casais antes de pensarem em filhos adotam pequenos mascotinhos como teste de paternidade (embora alguns imbecis que deveriam ter sido castrados esquecem suas crianças no carro em um calor escaldante). 

Engraçado como a vida muda, onde via vodka barata (Baical, Sputinik, Askov) agora vejo whiskys bons, onde via Habib’s agora é risoto de limão siciliano ou algo com queijo brie.... nem o vinho é mais Chapinha, Sangue de boi ou Chalise. Não que não aprecie a boa gastronomia ou bons tragos, é que só de ouvir essas marcas consumidas na adolescência já me dá esteatose hepática. Parei de beber essas coisas depois que tive minha primeira ressaca de dois dias (o Sr. Figueiredo regenera só até certo ponto e idade). E vamos concordar, espinha depois dos 30 é sacanagem das bravas né? Sei lá, é hora de ter coisa nova, tipo gota.

E não é só o fígado que vira funcionário público (nada contra, apenas força da expressão), esse timer desregulado também tira seus cabelos e os coloca nas costas!?!? Nem Darwin responderia essa. Nem todos perdem os cabelos, mas aqueles que não ostentam entradas “Mc Donalds” já estão mais grisalhos que a peruca do Tiririca. E a querida barriga então... dizem que a maior desilusão da vida é murchar a barriga e notar que não resolve mais. Sei lá, sou cético, não acredito em homem sem barriga depois dos 30: ou gosta mais do próprio abdômen do que de feriado prolongado ou tá com bichinho...

O mais interessante nessas horas são as opiniões femininas sinceras que tentam moldar do jeito que elas querem algo que elas não querem. É a vegana (neologismo derivado da palavra vegan) que pede um cheeseburguer sem carne e sem queijo... afinal, se todos gostassem de selinho se casariam com carteiros.


Então, vamos jogar no modo hard, afinal, até o Mario tem suas fases difíceis. (que Mário?...)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"E se der medo vai com medo mesmo..."

Eu deveria estar fazendo outra coisa.

Por medo de que minha carreira não dê certo, por medo de fazer papel de besta (aliás, sou fera nesse tipo de origami), por medo de repreensão, por medos que nem eu sei listar. Engraçado, às vezes tenho a sensação de que quem cresce em nossos aniversários são nossos medos, não nossa idade (mental, principalmente). Sei que o medo nos trouxe até aqui com o instinto de autopreservação e sobrevivência, mas não é um skill que colocaria no linkedin.

Pessoas têm medo de falar que têm medo. Não me refiro às patologias (fobias) de medo de altura, falar em público ou lugares fechados. Todos temos, em diferentes níveis, de diferentes coisas.

Recentemente assumi meu desconforto, criei vergonha e resolvi aprender espanhol, cuja língua nunca tive contato (tirando uma ex, filha de argentinos, mas é outra história. – notem a vírgula, não existe ex filho de alguma nacionalidade). Engraçado que todo brasileiro nasce com o software do portunhol, logo, todo brasileiro já é bilíngue por natureza, afinal, mesmo que não funcione, o Imagem e Ação® é mundialmente conhecido e a linguagem do amor é universal.   

Depois de uma certa idade é desconfortável começar a aprender uma nova língua; falar, ler e escrever em um nível inferior ao de uma criança alfabetizada de 6 anos (uma idade que você desejaria que seu fígado estivesse). Como diria Seinfeld, é como entrar em uma livraria (uma loja mais esperta que você), afinal, para entrar numa livraria, você precisa admitir que há algo que você não sabe.

quinta-feira, 27 de março de 2014

...Digitando

Quem inicia um texto com “eu sou da época...” ou usa a denominação “jovem” já não se considera mais tão jovem assim, mesmo assim, por falta de algo melhor...

Eu sou da época que o treinamento para o mundo empresarial se realizava nas coisas do dia-a-dia. Era necessário um script antes que realizar uma ligação para uma prospect, talvez, os mais artísticos tendessem ao storyboard. A principal preocupação não era, de fato, o que falar para ela, mais sim, o que falar para a mãe dela, caso esta atendesse. (Naquela idade o pronome de tratamento “tia” era aceitável). COMUNICAÇÃO: públicos diferentes requerem comunicações distintas.

Antes mesmo de realizar a ligação era necessário um planejamento do conteúdo e da duração da conversa para o cálculo da quantidade de fichas necessárias. Cada ficha durava 3 minutos e os segundos de silêncio constrangedores poderiam ser denominados luxo. PLANEJAMENTO FINANCEIRO: em pensar que não tínhamos ideia do que era ROI (return on investment). CONCISÃO: Se você estava na terceira ficha e não atingiu o objetivo provavelmente já perdeu o timing. O custo de aquisição já tinha estourado o orçamento.

E para saber onde mora, qual a linha de ônibus que passava perto, qual o Mc Donald’s mais próximo pra ir a pé... GEOLOCALIZAÇÃO: a teoria do raio do amor nunca foi tão presente como nesta época. Qual o perfil, do que gosta, amiga de quem... NETWORKING: diga-me com quem andas e te darei umas dicas.

Ao longo dos anos as motivações das pessoas não mudaram, ainda questiono a denominação sapiens sapiens em nossa espécie. Acho que deveríamos ter parado no homo erectus... pelo menos não soaria contraditório.

As pessoas fazem as mesmas coisas que faziam na época do telefone de ficha, mas com mais tempo, recursos e sem tantos perdigotos desconhecidos. Hoje me sinto um pouco estranho ao falar ao telefone, sei lá, as vezes falta um emoticom no formato de cocô ou um “kkkkk” pra preencher uma réplica marota. (ok, idade não tem a ver com maturidade). O ruim de uma conversa, xaveco ou argumentação ao vivo é que só depois de horas você acha a frase inteligentemente brilhante que deveria ter falado no momento, enquanto se lembra da frase digna de alguém do primário que veio na cabeça na hora.

Aplicativos de chat online são excelentes, eles dão a oportunidade multitarefa de conversar com amigos enquanto se corta a unha do pé. O interessante destes aplicativos é que você sabe que o outro está digitando algo, é como se a ampulheta do Imagem & Ação® parasse até você decidir a mimica ou mesmo jogar jokempô com um delay de vantagem. Ele cria um filtro que no dia-a-dia o maxilar pode deixar a desejar. Afinal, reticencias são três pontos finais...     ...com continuidade.

Um velho ditado diz que temos dois ouvidos e uma boca para utilizarmos nesta proporção. Com o advento dos aplicativos de chat qual o sentido de dizer que temos dois olhos e dez dedos? Bom, no fim das contas, malandro é o Lula que tem nove...   caiu a ficha?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

D.R. com SP

(uma reflexão sobre nossa cidade, em forma de relacionamento)

São Paulo, sua meretriz interesseira,

Eu não nego, te amo. Crescemos juntos, você muito mais velha que eu, com sua imensidão, história, conhecimento... tantos já passaram por ti que se fosse ciumento já estaria morto. Você tem tudo que eu sempre busquei: diversão, agitação, diversidade, uma infinidade de opções que me deixa até confuso. Parte de ti quer ostentar tudo de bom e de melhor, com baladas caríssimas, roupas chiques e joias caras, seu outro lado mais humilde não se importa em tomar uma pilsen vagabunda de cereais não maltados no boteco...

Ao longo dos anos você foi crescendo desenfreadamente. Muito assedio, mais pessoas no seu círculo social, mais gente! E ai nossos valores começaram a divergir...

Um espaço dentro do seu “eu” alcançou valores inimagináveis... e grandiosa do jeito que es, sabes que sempre terás uma parcela da população que não se importa em pagar o preço (que tem conhece que te compre). Sair à noite contigo é quase um assalto, (quando não, literalmente). Achar um canto qualquer para eu parar já não existe mais, todos querem tirar vantagem de você... e conseguem. Não raro, tenho que pagar mais de R$ 20,00 para estacionar minha ansiedade de te conhecer. Dizem que você está nos melhores lugares, mas estes, além de caros, apresentam um fila de fans mais fanáticos que eu.

Já desisti de você muitas vezes, mas você me segura, sempre! Como se longe de você eu não tivesse alguma chance de ser realizado, feliz ou completo. Como se ninguém mais lá fora me quisesse.

Já estive em outras... gostei muito, mas por ironia do destino acabo voltando pra você. Pensando friamente, seus ares são cinzentos, sua mente gananciosa, cresceu tão rápida, que estrias fazem parte da sua topografia. Ganhou curvas, concordo, mas quase todas irregulares e esburacadas, e você não se cuida... nunca. Mas este jamais seria um sério problema entre nós.

Grandes empresas querem estar contigo. Investem em você. Criam monumentos de diversos andares espelhados que acabam atraindo mais pessoas que não se importam em se apertar para se movimentar dentro de ti, mesmo com um sistema circulatório precário e prestes a falir. Você deveria ver um médico, embora não tenha certeza da especialidade.

São Paulo, você está perdendo aquele olhar doce de simplicidade, quer copiar outras por aí afora que nem sabem direito que você existe. Você tem um potencial enorme, mas precisa se encontrar no mapa.

Eu adoraria ficar ao seu lado pro resto da minha vida, mas entenda que depende muito mais da sua vontade do que da minha.

Vamos melhorar juntos.