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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Saúde!


O Álcool, esse composto orgânico que apresenta em sua estrutura a Hidroxila, deveria ser considerado uma das maiores descobertas do mundo, antes do fogo até, afinal, ele por si só já dá um fogo danado. Em um churrasco, por exemplo, o álcool faz da carne a coadjuvante. Você não ficaria tão puto se não tivesse mais asinha de frango ou espetinho de coração no meio dos tijolos quanto ficaria se não tivesse uma gelada no isopor.



Aliás, tomando como verdade a teoria da evolução de Darwin, tomo a liberdade de complementar que a evolução da espécie humana está diretamente ligada ao álcool e ao desenvolvimento do polegar opositor, pois, sem ele, derrubaríamos todos os copos de cerveja ou whisky (embora alguns sem desenvolvimento cerebral ainda o fazem). A descoberta do álcool pelos homo-erectus (que quando exageravam não ficavam tão erectus assim) foi revolucionária a ponto do desenvolvimento do polegar, que deu origem à criação das mãos dos bonecos playmobil e de uma banda dos anos 80 que, completamente embriagados, entoavam uns para os outros o belo coro “Dá pra mim...” A procriação da raça humana só se deu após um porre de Adão, que fez um ponche com a maçã, chamou de St. Remy e mandou um boa-noite-cinderela na Eva, que não ofereceu muita resistência após o terceiro shot.



O que diferencia o Homem dos animais, ao contrário do que muitos pensam, não é a capacidade de raciocínio (até porque conheço muitos que ainda não desenvolveram tal feito), mas sim sua capacidade de pegar alimentos e bebê-los. Bem que os galináceos tentaram desenvolver um dedão para segurar o copo, mas o máximo que conseguiram foram esporas. Eles não conseguiriam mesmo, imagina um frango bebendo vinho tinto apoiado em uma pata só... Iria manchar todas as penas de roxo e nem a mais galinha das galinhas iria querê-lo. Acho que daí surgiram os perus... Mas isso é outra história.



Poucos sabem da tradição do álcool que se origina a milhares de anos, antes dos Maias, Astecas, Greco-romanos, Franco-prussianos e um pouco depois da Dercy Gonçalves... Ele é obtido por meio da fermentação de açúcares (aliás, porque tomamos glicose se o álcool é feito de açúcares?) ou pela hidratação do etileno. Dizem que este etileno morava em Jerusalém e usava o heterônimo de Inri Cris, que ficou muito popular abrindo o primeiro buteco do mundo, transformando água em vinho, daí o truque da hidratação do etileno. As estórias de Baco e dos bacanais era só xaveco da época pra se fazer de bacana.



A bebida em geral é tão universal quanto a linguagem de sinais, o Chapolin e a tombadinha do corpo no banco do carro para a flatulência. Você certamente não saberá pedir um risoto de funghi com bardana e molho de ervas finas na Estônia, mas Vodka é Vodka! Ela é aliada nos relacionamentos, nos networks, nas celebrações, na gravidez indesejada e naquela vontade única de beber água como um camelo desidratado, além do gosto de corrimão na boca, dores no corpo e perda de memória. A dor de cabeça do dia seguinte serve pra lembrar que você tem cérebro, embora não tenha sobrado mais nada dos rins e do fígado. Mas se você reclama da dor de cabeça, experimenta limpar a boca de molho de tomate na cortina da casa da sua sogra... Sou mais a cerveja.



O álcool se mostrou tão útil à sociedade que ele está presente cada vez mais em nosso dia-a-dia. Imagine que ele está no seu copo, no seu carro, no seu desodorante e ao mesmo tempo no pano do garçom pra limpar a mesa. Inventaram até o álcool gel, agora você pode até passar no cabelo antes de sair. Temos até o listerine, que é uma variação do chiclete Trident em shot.



Com essa onda de vida saudável e dietas, o álcool pode ser o maior aliado nesta guerra interminável. Se comer engorda, destila e põe pra dentro. Você não precisa mastigar, não tem perigo de falar com a boca cheia, não tem problema beber com as mãos, enfim, um oásis de utilidade para os apreciadores da boa etiqueta. (seja ela Black ou Red).



Hoje até nossa comida já está adepta a bebida. O mais famoso e tenro bife é o Kobe Beef, da raça Wagyu, que toma litros e litros de cerveja e não faz exercício, ainda por cima todo mundo acha ele gostoso. Não é fantástico? Os nutricionistas que defendem um prato colorido, podem se contentar com as variações de cores nos mais diversos copos: rose, tinto, branco, oro, prata, Red label, Black label, Green label, Blue label, Golden label, Black and White, Campari, pale ale, red ale, Red Bull (te dá asas)...



Assim como os pratos dos grandes chefs, a bebida também tem suas frescuras. Analise a frase: “Este vinho é de forte personalidade, um buquê frutado e acentuado com tons amadeirados e marcantes, notas de amoras rupestres colhidas no esplendor do orvalho e retrogosto aguçado e proeminente deixando um residual aveludado.” Buquê? Frutado? Amadeirado? Notas de? Retrogosto? Avelulado? Temos que respeitar as diferenças e aceitar, neste grande engradado de garrafas misturadas que é o mundo, os homoetílicos. O que seria uma alimentação balanceada? De entrada um mix de folhas com Blood Mary em rodelas e pitadas de Steinhäger, Fernet (ervas) e Gin (Cereais e zimbro). De prato principal Saquê com vodka sauté (batata e cereais) e creme de Bourbon (milho). Acompanha baguetes de Weiss integral, canapés de cerveja tipo abadia e bolinhos de Sochu (arroz). De sobremesa uma variada salada de frutas com Cabernet Sauvingnon, Cidra fatiada (maçã), bastões de absinto (anis), tudo isso com chantily e um Kirshwasser no topo (cereja). Agora só falta pedir algo pra beber, porque comer a seco é complicado.



Então, Saúde!!! Porque dinheiro tá difícil e os 10% são do garçom.



PS: Post oficial de 01.07.2008 de eddie.blog.terra.com.br

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